Decorreu hoje no MACC – Mosteiro de Ancede Centro Cultural, a inauguração da exposição “Rostos da Democracia sem Censura”, da artista plástica Mafalda Rocha, numa cerimónia presidida pelo Secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos.
A sessão contou ainda com a presença da Presidente da Câmara Municipal, Ana Raquel Azevedo, da vereadora da Cultura, Olívia Mendes, do vereador responsável pelo pelouro do Turismo, António Azeredo, do Presidente da Assembleia Municipal, Armando Fonseca, do Presidente da União das Freguesias de Ancede e Ribadouro, Sérgio Monteiro e da Provedora do Munícipe, Maria Elisa Silva.
Composta por 51 obras de diferentes dimensões, a mostra propõe uma viagem pela memória da resistência à ditadura e pela conquista da liberdade em Portugal, através da integração de documentos históricos, textos censurados e retratos de figuras marcantes da luta pelos direitos e liberdades fundamentais.
A exposição evidencia igualmente o papel determinante, e muitas vezes menos reconhecido, das mulheres neste percurso coletivo de resistência, dando a conhecer histórias de coragem, compromisso cívico e perseverança que contribuíram para a construção da democracia portuguesa.
A componente musical ficou a cargo de Adriana Borges, cuja atuação contribuiu para enriquecer um momento marcado pela evocação da memória, da resistência e da liberdade.
A ARTE COMO INSTRUMENTO DE LUTA PELA LIBERDADE
Na sua intervenção, Mafalda Rocha, expressou a sua gratidão ao Município de Baião e à equipa do MACC pelo acolhimento da exposição, sublinhando que o projeto nasceu da vontade de despertar e relembrar o tempo da censura, colocando em destaque o papel das mulheres na resistência ao regime, um contributo que nem sempre recebe a visibilidade merecida.
A artista explicou que procurou libertar a memória dessas mulheres através da utilização de relatórios da PIDE e de textos censurados, transformando-os numa linguagem artística capaz de aproximar o público destas histórias de coragem e resistência.
Referiu ainda o simbolismo cromático presente nas obras, onde o azul representa o lápis da censura e o vermelho sanguíneo simboliza a esperança.
Para Mafalda Rocha, a liberdade exige uma defesa permanente, salientando que “todos os dias temos de lutar pela liberdade” e que esse continua a ser um dos principais papéis da arte na sociedade.
Por sua vez, a Presidente da Câmara Municipal, Ana Raquel Azevedo, destacou a importância de preservar a memória da luta pela liberdade e da resistência à censura, sublinhando o papel desempenhado pelas mulheres neste processo histórico.
A autarca realçou ainda o valor da cultura e da arte enquanto instrumentos fundamentais para transmitir esses valores às novas gerações e promover uma cidadania mais consciente e participativa.
O Secretário de Estado da Cultura salientou a importância da preservação da memória histórica e da valorização da criação artística enquanto instrumento de reflexão sobre os valores democráticos.
Alberto Santos felicitou o Município por acolher a exposição e pelo trabalho desenvolvido no MACC, considerando que o espaço se afirma cada vez mais como um local de vida, conhecimento e partilha cultural.
O governante sublinhou que nunca são demais as oportunidades para refletir sobre o legado deixado pelo 25 de Abril e sobre a necessidade de preservar valores fundamentais como a liberdade de opinião e de expressão.
Destacou igualmente o olhar diferenciador da exposição ao evidenciar o contributo das mulheres para a resistência ao regime e para a conquista da liberdade.
O Secretário de Estado defendeu ainda que a arte desempenha um papel crucial na sociedade, ajudando a resistir à opressão em tempos de ditadura e contribuindo, em democracia, para a construção de uma sociedade mais madura, participativa e assente no respeito por quem pensa de forma diferente.
A encerrar a sua intervenção, citou Agustina Bessa-Luís:
“A memória elabora o melhor das artes; a imaginação só as respeita quando as não perturba.”
Mais do que uma homenagem ao passado, “Rostos da Democracia sem Censura” constituiu um convite à reflexão sobre o percurso da democracia em Portugal e sobre aqueles que, enfrentando a censura e a repressão, ajudaram a conquistar a liberdade.
Onde o regime procurou impor o silêncio, a arte devolveu voz, rosto e memória.
A exposição permanecerá patente ao público no MACC – Mosteiro de Ancede Centro Cultural até 15 de novembro de 2026.























