A Presidente da Câmara Municipal de Baião, Ana Raquel Azevedo, reuniu esta semana, nos Paços do Concelho, com o Presidente do Conselho de Administração da Águas do Norte, António Cardoso, num encontro solicitado pela própria autarca para manifestar a sua profunda preocupação com os atrasos na conclusão das intervenções realizadas pela empresa no concelho, particularmente na reposição das valas e na pavimentação definitiva das vias intervencionadas.
Durante a reunião, Ana Raquel Azevedo transmitiu à administração da Águas do Norte o descontentamento manifestado por muitos munícipes com a demora na conclusão destes trabalhos, que têm provocado constrangimentos significativos à circulação rodoviária e motivado inúmeras reclamações junto da Câmara Municipal.
Embora reconheça a importância e a necessidade das intervenções destinadas à expansão das redes públicas de abastecimento de água e saneamento, a Presidente considera que a execução destes trabalhos deve ser acompanhada de uma reposição célere e adequada das condições de circulação, evitando que os transtornos para os moradores e automobilistas se prolonguem desnecessariamente.
A preocupação do executivo municipal é ainda maior nesta altura do ano, com a entrada no último trimestre e a aproximação do período de maior precipitação. A permanência de valas por repor e de pavimentos sem intervenção definitiva poderá agravar as condições de circulação e os incómodos causados à população, sobretudo com a chegada das primeiras chuvas.
A autarca defendeu, por isso, a necessidade de a Águas do Norte acelerar a conclusão das intervenções em curso e assegurar a reposição definitiva dos pavimentos, com a qualidade e a rapidez necessárias para devolver às vias as devidas condições de utilização.
Para além desta questão, que constituiu o principal motivo da reunião, foram também abordadas outras preocupações relacionadas com a gestão dos serviços de abastecimento de água e saneamento no concelho, nomeadamente a insuficiência de investimento na expansão das redes e as responsabilidades das entidades envolvidas.
A autarca sublinhou que uma parte significativa do território de Baião continua sem cobertura das redes públicas de abastecimento de água e saneamento, uma realidade que considera incompreensível face às necessidades atuais das populações e à importância destes serviços essenciais para a qualidade de vida.
A questão das tarifas também foi abordada, tendo Ana Raquel Azevedo manifestado a sua oposição a eventuais novos aumentos que agravem os encargos das famílias, defendendo a necessidade de maior justiça e convergência tarifária entre territórios.
A Presidente chamou ainda a atenção para o papel particularmente ingrato que tem cabido à Câmara Municipal nesta matéria. É frequentemente à autarquia que os munícipes recorrem para manifestar o seu descontentamento com os atrasos nas obras e os transtornos causados, preocupações que o Município compreende e procura acompanhar e encaminhar. No entanto, a resolução destas situações depende de intervenções e decisões que não estão diretamente nas suas mãos, colocando a Câmara numa posição especialmente difícil perante a população, apesar dos esforços desenvolvidos para encontrar soluções.
Estas preocupações já tinham sido transmitidas pessoalmente por Ana Raquel Azevedo à Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, durante a reunião realizada no passado dia 7 de outubro, em Lisboa.
Entretanto, Baião juntou-se aos municípios de Amarante, Arouca, Celorico de Basto, Cinfães, Fafe, Santo Tirso e Trofa na subscrição de uma comunicação conjunta dirigida à Ministra, solicitando uma reunião urgente e uma intervenção do Estado para resolver os problemas financeiros e estruturais da Parceria.
No documento, os oito municípios alertam para a existência de 220 milhões de euros de investimento necessário para expandir as redes de abastecimento de água e saneamento no conjunto dos municípios que integram a Parceria, defendendo que a sustentabilidade financeira do sistema não pode continuar a ser procurada à custa de aumentos sucessivos nas faturas das famílias.
Os municípios defendem, por isso, uma intervenção efetiva do Estado, que permita assegurar o financiamento necessário, corrigir os desequilíbrios existentes e estabelecer um plano de investimento com responsabilidades e prazos definidos, garantindo que as populações não continuam a ser prejudicadas pela falta de soluções estruturais.


