A Biblioteca Municipal António Mota, em Baião, transformou-se num mundo de fantasia, onde vestidos inspirados nas princesas da Disney, figuras coloridas e um bosque de gnomos ganham vida através das linhas e da criatividade de Selena Carvalho. A exposição “Linhas com Mimo”, inaugurada na noite de sexta-feira, 6 de novembro, reúne muitas peças feitas à mão pela artista baionense.
A inauguração encheu a biblioteca de familiares, amigos, conhecidos e curiosos, que tiveram oportunidade de conhecer os trabalhos e descobrir as histórias por detrás das diferentes criações. A sessão contou com a presença da vereadora da Câmara Municipal de Baião, Olívia Mendes, que felicitou Selena Carvalho pelo seu talento e agradeceu, em nome da autarquia, a oportunidade de acolher a exposição, salientando a importância da biblioteca enquanto espaço aberto à divulgação de diferentes expressões artísticas e culturais.
A ligação de Selena Carvalho às linhas começou “ainda na infância”, junto à lareira da casa dos avós maternos, onde observava “a avó Cândida a fazer meias em tricô”. Tinha cerca de cinco ou seis anos quando começou a experimentar as primeiras técnicas, um gosto que foi desenvolvendo ao longo da vida e que encontrou no croché a sua principal forma de expressão.
Atualmente com 42 anos, Selena trabalha numa fábrica e dedica grande parte do seu tempo livre à criação de peças artesanais. É sobretudo ao final do dia, depois do trabalho e das responsabilidades familiares, que encontra nas linhas uma forma de relaxar e de se “desligar das preocupações do quotidiano”.
Entre as peças expostas destacam-se os vestidos inspirados nas princesas da Disney, como a Cinderela, a Rapunzel e a Branca de Neve, e um conjunto de personagens criadas através do amigurumi, uma técnica japonesa de croché que permite produzir figuras tridimensionais. Selena começou a explorar esta técnica em 2017, recorrendo a “vídeos disponíveis na Internet”, e foi desenvolvendo trabalhos cada vez mais elaborados, que hoje dão forma a gnomos, animais e outras personagens.
Um dos grandes destaques da exposição é o bosque de gnomos, um cenário encantado onde figuras de diferentes tamanhos e cores ganham vida entre troncos e um cogumelo gigante. A sua criação contou também com o envolvimento da família de Selena, que partilha o entusiasmo pelos seus trabalhos. O marido “ajudou a construir a estrutura do cogumelo”, enquanto o irmão “colaborou na recolha dos troncos utilizados na decoração do espaço”.
A criatividade é igualmente partilhada com a filha, de dez anos, que já participa em algumas das suas experiências artísticas. Dois dos gnomos expostos nasceram de desenhos feitos pela criança e posteriormente transformados em peças de croché pela mãe. A exposição inclui ainda um pequeno cachecol produzido pela filha para uma das personagens, dando continuidade a uma ligação às linhas que atravessa várias gerações da família.
Para Selena Carvalho, esta primeira exposição é também “uma oportunidade para contrariar a ideia de que o croché pertence exclusivamente às gerações mais velhas ou se limita aos tradicionais trabalhos de renda”. A artista acredita que esta forma de expressão “tem muito mais para oferecer” e lembra que “o croché está a outro nível”, apontando “a sua crescente presença em áreas como a moda e a criação artística contemporânea”.
É precisamente essa diversidade de possibilidades que gostaria de dar a conhecer às crianças e aos jovens. Selena deixa, por isso, um convite especial às escolas e aos professores para “visitarem a exposição”, acreditando que o contacto com estas técnicas “pode despertar novos interesses e estimular a criatividade”. Ao falar da construção das pequenas personagens, dos braços aos chapéus e acessórios, explica que “tudo isso fascina”, considerando que “trabalhar com linhas pode ser também uma alternativa ao tempo passado diante dos ecrãs”.
Mas a sua ambição vai além do trabalho individual. Selena vê no croché “uma atividade capaz de aproximar pessoas de diferentes idades” e gostaria de ver nascer projetos comunitários em que “cada participante pudesse contribuir com pequenas peças para a construção de trabalhos coletivos”. Uma oportunidade para “aprender, conversar, partilhar experiências e criar em conjunto”, recuperando uma dimensão de convívio que associa a esta arte.
Esta é a primeira exposição de Selena Carvalho, que nunca imaginou ver os seus trabalhos apresentados desta forma ao público. A artista mostrou-se “particularmente emocionada com o envolvimento da equipa da Biblioteca Municipal António Mota, que organizou as peças num percurso expositivo onde as diferentes personagens e cenários se articulam para contar uma história”.
A inauguração contou ainda com um momento musical protagonizado pelo músico baionense João Paulo Vaz, ao qual se juntou a filha Maria, que também interpretou uma canção, proporcionando um momento especial aos presentes.
A exposição “Linhas com Mimo” tem entrada gratuita e pode ser visitada até 18 de dezembro de 2026, na Biblioteca Municipal António Mota, em Baião, de segunda a sexta-feira, das 09h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00, e ao sábado, das 09h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00.






