A Câmara Municipal de Baião promoveu a entrega individual de incentivos aos produtores de bovinos, ovinos e caprinos do concelho, num apoio global de cerca de 25 mil euros. As iniciativas decorreram nos dias 16 e 21 de outubro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, durante dois encontros presididos por Ana Raquel Azevedo.
Em ambos os encontros estiveram também presentes o Vereador António Azeredo, responsável pelo pelouro da Agricultura e Pecuária, e Joaquim Madureira, presidente da ACRIBAIMAR – Associação de Criadores de Gado Baião/Marco, entidade que, em parceria com o Município, assegura a distribuição dos apoios pelos produtores.
Estando o valor dos apoios concedidos em linha com os valores praticados na região, a principal novidade dos apoios municipais em 2026 foi o alargamento do incentivo à criação de bovinos a outras raças, para além da Arouquesa.
O Município manteve o incentivo de 100 euros por animal da raça Arouquesa e passou a atribuir 75 euros por animal de outras raças bovinas, nomeadamente Cachena, Minhota e cruzados, desde que cumpridos os requisitos previstos no protocolo celebrado com a ACRIBAIMAR.
No caso dos bovinos, os apoios contemplam os animais nascidos no ano anterior em explorações sediadas no concelho de Baião, com uma permanência mínima de seis meses na mesma exploração. Em 2026, os incentivos abrangeram 143 bovinos.
No caso dos produtores de ovinos e caprinos, o Município mantém o incentivo anual de 4,50 euros por animal adulto devidamente identificado, destinado a apoiar as despesas com a sanidade animal. De acordo com os dados apresentados nas reuniões, são abrangidos cerca de 2.400 animais.
Para o Vereador António Azeredo, os incentivos representam uma ajuda importante para os produtores, sobretudo porque “a criação de gado não tem dias de descanso”. “Há animais para alimentar e cuidar todos os dias, e as despesas são constantes. Sabemos que estes apoios não resolvem todas as dificuldades, mas ajudam a aliviar os encargos de quem mantém as suas explorações. É importante continuar a criar condições para que a atividade pecuária tenha futuro em Baião”, salientou.
As reuniões permitiram também ouvir os produtores, que apresentaram dificuldades concretas, reivindicações e sugestões relacionadas com o exercício da atividade pecuária no concelho.
Na reunião com os criadores de bovinos, foram apontadas dificuldades no acesso aos terrenos baldios, tendo os participantes pedido maior atenção às necessidades dos produtores locais na utilização destas áreas. Foram também identificados constrangimentos no licenciamento de estruturas de apoio às explorações pecuárias, que, na perspetiva dos produtores, dificultam a melhoria das condições de criação dos animais e, em determinadas situações, comprometem a continuidade da atividade.
Os critérios de atribuição dos incentivos municipais motivaram igualmente algumas intervenções, nomeadamente a exigência de permanência dos bovinos durante um período mínimo de seis meses na exploração. Os produtores alertaram para as situações em que os animais morrem antes de completarem esse período, perdendo o criador o direito ao incentivo, apesar de já ter suportado os encargos associados ao nascimento e aos cuidados com o animal. Foram ainda referidos os prejuízos provocados pelos javalis nas culturas agrícolas, as dificuldades em encontrar mão de obra e a possibilidade de promover a atividade através da dinamização das feiras de gado.
Na reunião dedicada aos ovinos e caprinos, os produtores chamaram particularmente a atenção para os encargos associados à sanidade animal. Foram também manifestadas preocupações com o cumprimento das obrigações sanitárias, a necessidade de maior fiscalização e os prejuízos provocados por ataques aos rebanhos, com perdas de animais e consequências económicas para os criadores.
Foram ainda relatadas dificuldades no acesso ao serviço de recolha de animais mortos nas explorações. Por fim, no domínio da comercialização, foram também apresentadas propostas para aproximar os produtores locais da restauração envolvida nos eventos gastronómicos do concelho, criando oportunidades para que os animais produzidos em Baião possam ser valorizados nesses eventos.
A Presidente Ana Raquel Azevedo acompanhou atentamente as intervenções e pediu esclarecimentos sobre as dificuldades apresentadas, lembrando que “Baião é um concelho rural por tradição” e que a agricultura e a pecuária fazem parte da identidade do território e representam uma fonte de sustento ou de complemento para muitas famílias. Para a autarca, os encontros permitiram conciliar a entrega dos incentivos com a oportunidade de ouvir os produtores, conhecer os seus problemas e as soluções que propõem. “Sabemos que nem todos os problemas dependem diretamente da Câmara Municipal, mas isso não significa que possamos ficar indiferentes. Estaremos ao lado dos nossos produtores, acompanhando as suas preocupações e procurando, junto das entidades competentes, respostas para as suas reivindicações”, afirmou.

