A história e o valor cultural do anho assado com arroz de forno, uma das especialidades gastronómicas mais representativas de Baião, estiveram em destaque este domingo, 25 de outubro, com a apresentação do livro Anho Assado com Arroz de Forno – Afectos, História e Tradição. A sessão integrou a programação da 20.ª edição do Festival do Anho Assado e do Arroz do Forno, na Feira do Tijelinho.
A apresentação, que contou com a presença da Presidente da Câmara Municipal de Baião, Ana Raquel Azevedo, foi conduzida por Luís Filipe de Lima Brás, chanceler da Confraria do Anho Assado com Arroz de Forno, e por Carolina Mendes, investigadora da Universidade do Porto, que apresentaram os resultados de uma investigação desenvolvida ao longo de três anos.
Promovida pela Confraria, no âmbito das comemorações do seu 20.º aniversário, a investigação foi desenvolvida pelo Instituto de Imersão Cultural Stay to Talk, com o objetivo de reconstruir a história do prato, compreender a evolução das técnicas de confeção e documentar os conhecimentos transmitidos entre gerações.
Perante a escassez de informação histórica sistematizada, as investigadoras recorreram à pesquisa bibliográfica, à análise documental e à recolha de testemunhos. O estudo incluiu 129 questionários, entrevistas à comunidade e a profissionais da restauração, permitindo recuperar memórias e práticas associadas a esta tradição gastronómica.
Entre os resultados apresentados, destaca-se a identificação de uma referência documental de 1821 a uma forma de confeção semelhante à atual. A investigação identificou também uma receita publicada em 1894, da autoria de Paul Plantier, designada “Arroz à Antiga Portuguesa”, que apresenta procedimentos próximos dos utilizados na preparação do anho assado com arroz de forno.
Embora não tenha sido possível determinar uma data exata para a origem do prato, o estudo permitiu identificar antecedentes históricos e compreender a evolução de uma tradição que adquiriu características próprias ao longo do tempo.
Uma das conclusões mais relevantes identifica Baião e Marco de Canaveses como o epicentro desta tradição gastronómica. O estudo relaciona esta centralidade com a atividade pastoril, as características da Serra da Aboboreira e a importância histórica das feiras e das vias de circulação de pessoas e conhecimentos.
A investigação mostra igualmente a dimensão social do prato, tradicionalmente associado a ocasiões especiais, como casamentos, batizados e celebrações familiares. Salienta ainda o papel fundamental das mulheres na transmissão das técnicas de confeção, preservadas e adaptadas ao longo de gerações, com particularidades locais.
É precisamente esta ligação entre gastronomia e memória coletiva que Luís Filipe de Lima Brás valoriza na introdução da obra, ao sublinhar que o anho assado com arroz de forno representa “uma forma de estar, de receber, de celebrar e de manter vivos os laços que unem uma comunidade às suas origens”.
A Presidente da Câmara Municipal de Baião, Ana Raquel Azevedo, que acompanhou a apresentação, associou o valor da investigação à importância de transmitir estes saberes tradicionais às novas gerações.
“Este estudo ajuda-nos a conhecer melhor uma tradição que faz parte da identidade de Baião e que tem sido preservada pelas nossas famílias ao longo de gerações. Documentar esta história é valorizar as pessoas que mantiveram vivos estes conhecimentos e contribuir para que continuem a ser transmitidos aos mais novos. Foi precisamente com essa preocupação que integrámos na programação deste ano um showcooking dedicado às crianças, realizado ontem, para que também elas aprendessem a preparar o anho assado com arroz de forno” , salientou.
O livro pode ser adquirido junto da Confraria do Anho Assado com Arroz de Forno, sediada no Marco de Canaveses, estando prevista a sua venda, em breve, no Posto de Turismo de Baião.






