Baião assinalou na tarde de hoje, 29 de março, o Dia do Município, numa cerimónia realizada no Auditório Municipal e marcada pela atribuição de distinções honoríficas a personalidades, instituições e trabalhadores da autarquia, num momento de reconhecimento público de percursos ligados ao concelho e ao seu desenvolvimento. A sessão integrou ainda momentos musicais e a evocação de símbolos e referências da história local.
Entre esses símbolos, esteve em destaque a bandeira do Município, recentemente restaurada pelas irmãs Clarissas Adoradoras do Mosteiro de São Francisco de Assis, em S. Martinho do Vale, no concelho de Vila Nova de Famalicão. A peça, bordada com fios de seda, ouro e prata, apresenta elevado valor patrimonial e foi alvo de um trabalho de conservação especializado, que permitiu recuperar materiais e preservar a sua integridade estética e histórica.
A bandeira, que substituiu uma versão anterior aprovada em 1934, integra elementos heráldicos representativos da identidade local, como os ramos de oliveira, o cacho de uvas, as espigas de milho e as faixas ondadas, associados ao território, à produção agrícola e à ligação ao rio. Trata-se de um símbolo habitualmente guardado, sendo apresentado publicamente apenas em ocasiões específicas, como o feriado municipal de 24 de agosto, durante a procissão em honra de São Bartolomeu.
A celebração do Dia do Município, assinalada anualmente, tem como referência o dia 24 de março, data em que surge, pela primeira vez, a designação “Baião” num documento histórico datado de 1066. Instituída em 2017 por decisão conjunta da Câmara Municipal e da Assembleia Municipal, a efeméride afirma-se como um momento de evocação da história e de reconhecimento do percurso coletivo do concelho, das suas instituições e das pessoas que, ao longo do tempo, têm contribuído para o seu desenvolvimento.
No plano institucional, usaram da palavra o presidente da Assembleia Municipal de Baião, Armando Fonseca, e a presidente da Câmara Municipal, Ana Raquel Azevedo, num momento de reflexão sobre o percurso do concelho e os desafios futuros.
Armando Fonseca sublinhou o significado coletivo da efeméride, referindo que “o Dia do Município é, acima de tudo, um momento de reconhecimento do caminho que temos feito enquanto comunidade”, valorizando o papel das instituições e dos cidadãos na afirmação de Baião. Destacou ainda a importância de reforçar a coesão territorial e a participação cívica, defendendo que “é com o contributo de todos que se constrói um concelho mais equilibrado e preparado para o futuro”.
Por sua vez, Ana Raquel Azevedo centrou a sua intervenção no reconhecimento dos homenageados e na valorização do trabalho desenvolvido no território, afirmando que “as distinções hoje atribuídas representam o melhor de Baião: o empenho, a dedicação e o sentido de compromisso com a comunidade”. A autarca destacou ainda a importância de continuar a investir no desenvolvimento do concelho, sublinhando que “Baião tem sabido afirmar-se com base nas suas pessoas, na sua identidade e na capacidade de olhar para o futuro com responsabilidade”.
A cerimónia integrou também a apresentação pública da Comissão Honorífica, responsável por propor os nomes dos homenageados deste ano, composta por Amadeu Pegas, António Mota, António Queiróz Pinto, Armando Fonseca, Célia Azevedo, Daniel Guedes, Hipólito Costa, Inês Carrilho Belo, Orlando Gomes, Paula Pereira e Vítor Pinto.
É neste enquadramento que foram atribuídas as distinções honoríficas de 2026, momento central da sessão. No mérito ambiental foram distinguidas Arlinda Vasconcelos e Ilda Vasconcelos, pelo contributo para a conservação do Carvalhal da Reixela, uma área de floresta nativa de elevado valor ecológico no concelho. Na área desportiva, a distinção coube à Associação Desportiva de Ancede, pela afirmação da Prova da Bengala como referência do atletismo regional. No mérito científico foi distinguido Igor Filipe Ribeiro Teixeira, pelo percurso ligado à inovação digital e à aplicação de métodos de análise de dados ao território.
No domínio cívico foi homenageado Augusto Valente, pelo percurso na medicina e pelo serviço prestado à comunidade. Já no mérito empresarial, a medalha foi atribuída à VIALSIL, empresa sediada no concelho, reconhecida pelo trabalho desenvolvido ao longo de três décadas no setor da conservação de vias de comunicação. No plano social, foram distinguidos o Agrupamento de Escolas do Vale do Ovil, pelo trabalho desenvolvido na área da inclusão e do apoio educativo, e a Santa Casa da Misericórdia de Baião, pela intervenção na área da deficiência através dos Centros de Atividades e Capacitação para a Inclusão.
Na área cultural, a distinção coube à Associação Musical “Os Andarilhos”, pelo percurso desenvolvido na valorização e recriação da música tradicional portuguesa e do Douro Litoral, bem como pela dinâmica cultural que tem promovido ao longo dos anos a partir de Baião.
Foram ainda atribuídas medalhas de distinção profissional ao serviço do município a trabalhadores da autarquia com 35 e 25 anos de serviço. No primeiro grupo foram homenageados António Manuel Sousa Queirós, Armando Pereira Carvalheira, António Fernando Soares de Freitas e Ernestina Rosa Portela Teixeira Monteiro. Pelos 25 anos de serviço foram distinguidos Maria de Fátima Magalhães dos Santos Costa, Marino Carneiro Monteiro, Maria Natalina Carneiro de Sousa e Paulo Renato Cristóvão Rodrigues.
A sessão integrou também a apresentação do livro “História de Baião em Datas”, da autoria de Joaquim Luís Costa, uma obra que reúne, de forma cronológica, os principais momentos e figuras da história do concelho, assumindo-se como um instrumento de divulgação do património local.
A componente cultural esteve igualmente presente ao longo da cerimónia, com momentos musicais protagonizados pela cantora lírica Diana Cabral, natural do concelho, e pela Associação Musical “Os Andarilhos”, que, além de distinguida, apresentou um novo tema acompanhado de videoclip, revelado em estreia neste momento, num apontamento que reforçou a ligação entre criação artística contemporânea e identidade cultural do concelho.
A cerimónia foi apresentada pelo jornalista, também natural do concelho, Víctor Pinto.




















































