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História e Património

O património de Baião não pode resumir-se em poucas linhas porque é resultado de uma longa história que se perde na bruma dos tempos.

Serrra Aboboreira

Para já não falar de alguns vestígios da fase em que os homens apenas sabiam caçar e colher os frutos silvestres, é do período Neolítico (pedra nova, polida), com mais de cinco mil anos que nos ficou um vasto conjunto de monumentos megalíticos (pedras grandes) e de outros testemunhos ( vasos, lâminas, machados, contas de colar...) constituindo o Campo Arqueológico da Serra da Aboboreira, cujo ex - líbris é o Monumento Nacional Dólmen de Chã de Parada 1, em Ovil.

No decorrer dos milénios e dos séculos, passando sobre as idades dos metais e as civilizações antigas até ao domínio dos romanos, esses testemunhos foram-se acumulando e dando conta das mudanças operadas no modo de viver das populações locais ou para aqui deslocadas.

O Tesouro de Baião, um dos melhores conjuntos primitivos de joalharia em ouro, a quantidade de Castros (alguns romanizados, com destaque para o do Cruito, no Gôve), os caminhos romanos, o marco miliário, as epígrafes, as necrópoles, as aras dedicadas a Júpiter, são outros tantos exemplos da riqueza patrimonial que nos conta muitas histórias de uma longa história e que nos transporta a imaginação para outras que o rigor da ciência ainda não descobriu e deixa por conta de curiosas lendas.

A introdução do cristianismo apresenta bem cedo as suas marcas e o mosaico polícromo paleo - cristão de Frende é caso raro no noroeste peninsular.

Foi na passagem da Alta para a Baixa Idade Média que, à sombra do Castelo de Matos, nasceu a Terra de Baião, tenência de uma das mais nobres e antigas famílias ligadas à fundação de Portugal.

Desse período vêm os Mosteiros de Santa Maria de Ermelo, em Ancede, junto ao Douro, cujas ruínas da igreja estão classificadas, com a sua linda janela gótica, e o Mosteiro de Santo André de Ancede, que foi sede de um Couto enriquecido constantemente até à extinção das ordens religiosas. O conjunto da Igreja, Capela da Senhora do Bom Despacho, Quinta e Convento dá-nos a conhecer muito mais do que a actividade religiosa dos frades que por ali passaram, particularmente nos aspectos culturais e económicos da região.

De todas as igrejas e capelas se pode recordar muita outra história e apreciar algumas valiosas peças da arte sacra. Na paroquial de Valadares, por exemplo, conservam-se ainda vestígios muito raros de pintura a fresco datados do século XV. E não se pode esquecer que antes do concelho de Baião ter a configuração actual havia também o da Teixeira, onde o Pelourinho ali está como lembrança desses tempos.

Mas também com raízes ancestrais foram contribuindo para a ocupação e desenvolvimento do território várias famílias nobres de que resultou outro aspecto interessante da humanização da paisagem: algumas dezenas de solares e casas apalaçadas que enriquecem a arquitectura do concelho. Algumas emprestam a sua fidalguia de bem receber ao turismo de habitação.

Casa TormesA "Casa de Tormes" constitui exemplo à parte e único, porque, sendo antes de "Vila Nova", o seu nome actual lhe vem da fantasia de Eça de Queiroz, que assim a imortalizou em "A Cidade e as Serras". E deste jeito se fala também da relação privilegiada que Baião tem com outros escritores como Soeiro Pereira Gomes, Camilo, Visconde de Vila Moura, Agustina Bessa Luís, Alves Redol e António Mota ou ainda, com o Cinema de Manoel de Oliveira.

Património é também a literatura popular, o folclore, a gastronomia e os vinhos, mas o melhor que tem esta terra é, sem dúvida, a sua gente, como se poderá comprovar com uma simples maneira de o fazer: visitando Baião.